Comportamento

CONSTRUINDO A MUDANÇA

“Nada é permanente, exceto a mudança” – Heráclito.

Provavelmente, você já viu (ou ouviu) essa frase. Para muitos parece não fazer sentido algum, mas ela consegue dizer mais sobre a nossa vida do que você consegue imaginar. Quer ver só?

Tente fazer um pequeno exercício de memória e experimente voltar à sua infância. Relembre seus sonhos, seu jeito de ser, seus temores e preocupações quando ainda era uma criança indefesa. Você tinha medos simples, mas que pareciam enormes, né? Como era horrível dormir no escuro, ficar sozinho em casa…e aqueles barulhos estranhos que a casa fazia durante a noite? Socorro!!

Agora, relembre a sua adolescência. As revoltas sem causa e as brigas com seus pais por achar que j´era dona do próprio nariz. Quantas vezes já julgamos saber o que era melhor pra nós e demos de cara com o chão (e, claro, lá estavam os nossos pais para nos ajudar). Reviva as histórias com os amigos do colégio, o primeiro namorado (e amor) e talvez a primeira vez. 

Olhe pra você agora e perceba o quanto você mudou. Alguns de seus sonhos podem ter ficado pelo caminho, mas com certeza outros que você nem imaginaria surgiram e lhe transformaram no que você é hoje.  E só de olhar pra trás você sabe que terá novos sonhos e novas experiências que farão de você uma nova pessoa no futuro.

Você é hoje a sua melhor versão e amanhã será outra ainda melhor. É só ver quanta experiência adquiriu com uma nova percepção da vida, dos fatos e das situações que lhe aconteceram enquanto os anos passavam. Não foi somente sua aparência que sofreu mudanças. Você mesma mudou, ainda que não se dê conta disso por completo.

 

Por que é tão difícil?

Mesmo sabendo que amanhã não seremos as mesmas pessoas que somos hoje, mudar é uma das coisas mais assustadoras da vida.

Um exemplo bem simples: quando pensamos em mudar o visual, vai dizer que não dá um “medinho” de sentar na cadeira do cabeleireiro? Imagina então quando pensamos nas grandes transformações como, trocar de carreira, de cidade ou até mesmo de estilo de vida.

Se buscarmos no dicionário, mudar significa remover, pôr em outro lugar, deslocar, alterar, modificar, transformar, converter, trocar, substituir. É um verbo, se refere à uma ação e isso dá um medo danado!

Por que ficamos assim?

A Organização Inknowation explicou de forma bastante divertida nesse vídeo aqui o que acontece quando nos atrevemos a sonhar e fazer as mudanças que tanto queremos. Por isso, vamos compartilhar aqui algumas ideias principais.

Estamos tão confortáveis na nossa zona de conforto que a qualquer sinal de perigo nosso cérebro dispara um mecanismo de defesa. Quem nunca disse: “Seja o que Deus quiser, ele sabe o que faz”, “Acho que é um sinal para ficar assim como estou”, “Não mexe com quem está quieto”, “Vou pensar melhor e na semana que vem eu vejo isso!”.

Nossos hábitos, rotina, habilidades, conhecimento, atitudes e comportamento fazem parte da nossa zona de conforto. E tudo que foge disso e é desconhecido nos amedronta, impedindo até que façamos qualquer mudança em nossas vidas – mesmo sabendo que são necessárias.

Assim como todos nós temos a nossa zona de conforto, também temos uma zona de aprendizadoque é uma área para explorar a nossa visão de mundo. Toda vez  aprendemos coisas novas, viajamos para lugares desconhecidos, conhecemos novas culturas e vivemos novas experiências estamos exercitando a nossa zona de aprendizado.

Algumas pessoas são mais dispostas a ir em direção da sua zona de aprendizado, mas para a maioria experimentar o novo e o incerto é muito assustador e por isso ficam presas dentro da sua zona de conforto.

Estamos tão preocupados com o “E se algo der errado?” que acabamos por ignorar completamente o outro ângulo da questão: “Mas e se der tudo certo?”

E é aí que seguimos para um novo caminho rumo a chamada zona mágica, onde o desconhecido pode fazer com que coisas maravilhosas aconteçam. E sabe o que é mais legal? Quando experimentamos a zona mágica, a nossa zona de conforto não desaparece, na verdade ela expande. O desconhecido passa a ser conhecido e você fica mais confortável com isso.

Muitas vezes nem é o medo do desconhecido que nos trava, mas sim a ideia de que mudar significa abrir mão do que já temos, ou seja, da nossa zona de conforto. Mudar é desenvolvimento, é adicionar coisas novas ao que você já tem.

Parece que tudo fez sentido, né? Que tal agora te ajudarmos a sair da zona de conforto com pequenos passos em direção às mudanças que você almeja em sua vida?

♦ Identifique exatamente o que você quer mudar: Você quer mudar de profissão? De empresa? O namoro/casamento não está legal? Quer emagrecer? Saber o que de fato você quer mudar não é fácil. É preciso um trabalho de reflexão interno que talvez somente com o auxílio de uma terapia ou coaching você conseguirá identificar o foco do seu desconforto para conseguir mudar exatamente o que te incomoda.

♦ Planejar é preciso: com o foco identificado, o próximo passo é  traçar um plano baseado em atitudes. Não adianta nada se você constrói a mudança apenas na sua cabeça. Tire as ideias do papel! Se você quer mudar de emprego o que precisa ser feito?  Essas atitudes podem variar desde fazer uma poupança para uma nova carreira até vender o carro para realizar o sonho de viajar pelo mundo ou terminar um relacionamento que não te faz bem.

♦ Não existe fracasso:  o caminho da mudança é trabalhoso, por isso é essencial que você mantenha o pensamento positivo e não foque seu pensamento nas dificuldades e incertezas que podem surgir no caminho. Lembre-se que mudar é desenvolvimento e que independente do que aconteça você terá um grande aprendizado e experiência de vida.

 

Um depoimento especial

Quando anunciamos o tema vencedor na enquete do Insta algo nos surpreendeu. Uma das nossas seguidoras mandou um depoimento sobre o que é o processo de mudança para ela. Ficamos tão deslumbradas com a sinceridade que, com autorização dela, vamos compartilhar com vocês:

“Posso dizer que sou Phd em mudança. Só em 2017 larguei o emprego, saí do Brasil, voltei ao Brasil e aqui mudei de cidade. Se contarmos desde os meus 18 anos, foram exatas 19 mudanças em 15 anos, contando novas cidades e novas casas. E todas, absolutamente todas, tiveram seus graus de dificuldade. E não me refiro somente ao encaixotar e desencaixotar as coisas, mas principalmente ao processo interno que a mudança nos demanda. Por melhor que seja o lugar para onde a transformação nos leva, ela vai, de alguma maneira, nos tirar da nossa zona de conforto. E aí está a questão. Para que sair desse pedacinho nosso que estamos tão acostumadas? A gente já sabe muito bem onde fica cada coisinha, como a gente mesma funciona nesse esquema. Acontece que somos, todos nós seres humanos, inacabados e precisamos do movimento para atingirmos nosso acabamento. E eu tenho para mim que se a gente não tem coragem de nos transformar, vem o universo e dá aquele chacoalhão, tipo Ana Maria Braga gritando Acorda, Menina!

Comigo foi assim: depois de oito anos em uma relação que já estava desgastada, mas que eu estava me sentindo tão confortável e acomodada, veio aquele pé na bunda. E pé na bunda joga a gente para frente, não dizem?! Tive que mudar: de casa e de planos para a vida toda que seria a dois. E para isso tive que me redescobrir. Corri para a terapia e entre muitas horas de conversa, a psicóloga me perguntou se eu tinha assistido Comer, rezar e amar. Claro que sim, não perderia Javier Barden lindo em uma praia paradisíaca. Mas ela me aconselhou a assistir de novo e refletir sobre o que da história eu poderia tirar como reflexão para minha vida. E eu vi e vi de novo e vi cada vez que eu me peguei questionando sobre o difícil processo da mudança e da transformação interna que ele gera. Minha cena favorita é quando Liz, a protagonista, escreve um e-mail para seu ex namorado, e ao ponderar sobre o término dos dois, diz: “as ruínas são uma dádiva. A ruína é um caminho que nos leva à transformação”.
É o que dizem, parece tão simples na frase do filósofo, no filme estrelado pela Julia Roberts, no livro que inspirou o filme, na história da amiga. Na prática, na nossa vida, ali no dia a dia, o caminho da mudança que nos leva ao autoconhecimento não é nada fácil e nem tão bonito. Mas vale cada pedrinha que tiramos do lugar, para deixar o novo vir”.
– Por: Mariana Lopes, 33 anos.

 

Essa daí da foto é a Mari curtindo a experiência de morar fora do país.

E se você, de alguma forma, se identificou com a história dela, comenta aqui embaixo o que o processo de mudança significa pra você!

Beijos,

Babi e Paty

 

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